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+<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
+<html lang="pt">
+<head>
+ <title>O Senhor Dom Miguel I, e a Senhora Dona Maria II, por João Augusto
+ Novaes Vieira</title>
+ <meta name="Author" content="João Augusto Novaes Vieira">
+ <meta name="Publisher" content="Typografia de Sebastião José Pereira">
+ <meta name="Date" content="1852">
+ <meta http-equiv="content-type" content="text/html; charset=UTF-8">
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+
+<body>
+<div>*** START OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK 30355 ***</div>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<div style="text-align:center; border: solid 2px #000; padding: 1em;">
+
+<p style="font-size: 2.5em;">O SENHOR DOM MIGUEL I,</p>
+
+<p style="font-size: 1.2em;">E</p>
+
+<p style="font-size: 2em;">A SENHORA DOM MARIA II.</p>
+
+<p style="font-size: 1.5em;">COMPARAÇÕES.&mdash;REFLEXÕES.&mdash;DESENGANO.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="font-size: 1.5em;">PORTO:</p>
+
+<p><small><em>TYPOGRAPHIA DE SEBASTIÃO JOSÉ PEREIRA,</em></small><br>
+<small>Praça de Sancta Thereza, n.º 28.</small><br>
+1852.</p>
+</div>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<blockquote style="width: 50%; margin-left: 50%;">
+ <p>Não soffre muito a gente generosa<br>
+ Andar-lhe os cães os dentes amostrando.<br>
+ </p>
+
+ <p style="text-align:right;"> C<small>AMÕES.&mdash;</small>O<small>S
+ </small>L<small>USIADAS.</small> </p>
+</blockquote>
+
+<p><span class="pn">{3}</span></p>
+
+<div id="corpo">
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<h1><a name="SECTION00010000000000000000">PRIMEIRA PARTE.</a></h1>
+
+<h2><a name="SECTION00011000000000000000">COMPARAÇÕES.</a> </h2>
+
+<p>N'um folheto de 16 paginas, impresso na typographia da rua das Hortas, n.º
+82 a 84, lêem-se umas comparações entre S. M. a Rainha e seu Augusto Tio.</p>
+
+<p>O folheto tem por titulo «<em>O Snr. Dom Miguel de Bragança e a Snr.ª Dona
+Maria da Gloria&mdash;collecção dos artigos das comparações publicadas no</em>
+«Portugal.»</p>
+
+<p>A introducção foi escripta pelo <em>doutor</em> Casimiro de Castro Neves,
+natural de Louzada, e hoje residente em Lisboa.</p>
+
+<p>As <em>comparações</em> diz-se que as escrevera o snr. Francisco Candido de
+Mendoça e Mello, bacharel da fornada de 1849, <em>natural de Bragança</em> e
+residente no Porto.</p>
+
+<p>Francisco Pereira d'Azevedo é o editor e recebe os patacos do folheto.</p>
+
+<p>As comparações ei-las ahi:<span class="pn">{4}</span></p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel não póde admittir em sua companhia a Snr.ª D. Maria,
+porque nada póde haver de commum entre ambos.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel perseguiu os ladrões e assassinos; a Snr.ª D. Maria, diz o
+<em>Ecco</em>, que se bandeou com elles.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel não perseguiu os seus amigos; a Snr.ª D. Maria tem
+perseguido a todos, e com muita especialidade o marechal Saldanha.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel sahiu pobre do paiz, porque não roubava nem deixava
+roubar; a Snr.ª D. Maria, diz o <em>Ecco</em>, que ha-de estar bem rica, e nós
+tambem o dizemos.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel sahiu rico das saudades e bençãos d'um povo que o adorava;
+a Snr.ª D. Maria, se sahir, não leva poucas maldições e insultos, como póde
+testemunhar quem tiver ouvidos para ouvir o que por ahi se diz, e olhos para
+lêr os papeis que no paiz se publicam. Saudades é que realmente, não é só a
+nós, que não deixa nenhumas!</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel demittiu magistrados por não serem limpos de mãos; a Snr.ª
+D. Maria cobriu esses, e outros d'honras e dignidades.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel protegia e promovia tudo quanto era portuguez; a Snr.ª D.
+Maria fazia o mesmo a tudo quanto era estrangeiro.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel conquistou Portugal com<span class="pn">{5}</span> a sua
+pessoa <em>só</em>; a Snr.ª D. Maria com os estrangeiros de todos os paizes.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel viveu com a maior economia, e foi fiel aos seus
+contractos; a Snr.ª D. Maria o contrario de tudo isto.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel entregou intactas as joias da corôa; a Snr.ª D. Maria
+<em>consentiu</em> que não só se roubassem as de seu augusto Tio, se não ainda
+que se lhe apoderassem dos bahus da sua roupa branca, que a Snr.ª Vadre lhe
+conduzia, e que lhe usurpassem os seus bens proprios.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel enviou o brigue de guerra <em>Téjo</em>, commandado pelo
+1.º tenente Caminha, ao Rio de Janeiro, levar aos seus parentes brasileiros a
+herança de seus augustos parentes fallecidos; a Snr.ª D. Maria consentiu que
+seu augusto Tio fosse defraudado não só da herança de seus augustos paes, senão
+ainda de todo esbulhado da herança universal de sua augusta irman fallecida em
+Santarem.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel sustentou sempre os criados da casa real, ainda os de
+opinião contraria; a snr.ª D. Maria pô-los todos na rua, substituindo muitos
+por estrangeiros, e deixou morrer á fome as criadas da Snr.ª D. Maria 1.ª
+escapando sómente as netas do famoso João Pinto Ribeiro, que tanto concorreu
+para elevar a casa de Bragança ao throno; porque os legitimistas tomaram a si o
+seu parco sustento.<span class="pn">{6}</span></p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel tratou sempre bem as familias dos presos politicos, como
+póde testemunhar entre outras a filha de Pedro de Mello Breyner; a Snr.ª D.
+Maria tratou muitas como a esposa do conde de Villa Real, D. Fernando, que
+regressou do paço moribunda.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel não consentiu nunca que nos actos officiaes se insultassem
+os seus parentes brasileiros; a Snr.ª D. Maria tem <em>consentido</em> que
+nesses mesmos se insulte constantemente seu augusto Tio.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel augmentou o patrimonio real; a Snr.ª D. Maria tem-no
+dissipado, alienado e destruido.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel nunca mandou festejar os dias em que portuguezes
+derramaram o sangue de portuguezes; a Snr. D. Maria não só consentiu que se
+festejassem esses dias, senão ainda aquelles em que estrangeiros mataram
+portuguezes e tomaram navios portuguezes.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel escolheu para ministros d'estado homem de inconcussa
+probidade e limpeza de mãos; a Snr.ª D. Maria escolheu os caracteres mais
+corrompidos e corruptores que havia no reino, e expoz-se a sete revoluções para
+sustentar, a despeito da opinião publica nacional e estrangeira, o homem mais
+detestavel que tem produzido a nossa terra&mdash;o homem que roubou
+descaradamente&mdash;o maior dos concussionarios&mdash;o<span class="pn">{7}</span>
+valido mais torpe&mdash;o homem de <em>Queen's bench</em>&mdash;<em>o conde de
+Thomar</em>!</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel fez respeitar sempre o palacio de nossos reis; a Snr.ª D.
+Maria fê-lo descer até onde não podia descer mais.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel foi compadre de muitos bravos soldados de seu exercito; a
+Snr.ª D. Maria foi comadre do villão mais cobarde que havemos conhecido.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel escolheu para diplomaticos os homens mais conspicuos e
+probos do paiz; a Snr.ª D. Maria escolheu <em>muitos</em> contrabandistas e
+ladrões descarados.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel não podia pôr pé fóra do paço que não o acompanhassem
+ondas de portuguezes; a Snr.ª D. Maria tem atravessado Lisboa e as provincias
+no meio d'um silencio sepulchral.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel respeitou sempre os bispos, ainda os que eram indigitados
+de contrarios á sua opinião; a Snr.ª D. Maria consentiu que os perseguissem
+todos, e ainda ha alguns no exilio.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel queria reformar as ordens religiosas, e de accôrdo com a
+Sé romana nomeou reformadores; quem governava em nome da Snr.ª D. Maria
+destruiu-as, e expulsou os seus membros, depois de esbulhados de quanto
+possuiam.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel era escravo da opinião publica;<span class="pn">{8}</span>
+a Snr.ª D. Maria sempre a tem despresado, tornando-se necessaria uma revolução
+para se mudarem os ministros corruptos e corruptores.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel foi chamado ao throno pelas antigas leis da monarchia,
+applicadas por tribunaes que não creou; a Snr.ª D. Maria foi chamada ao throno
+por uma carta de lei, feita expressamente para este fim pelo imperador do
+Brazil, seu pae, e applicada por bayonetas estrangeiras.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel estava em Vienna á morte de seu augusto pae, e foi
+proclamado e sustentado pela maioria da nação com as armas na mão, sendo
+necessario vir o exercito de Clinton para que lh'as podessem arrancar; a Snr.ª
+D. Maria só teve por si, na maxima parte, os estrangeiros que cobiçavam as
+preciosidades das egrejas e dos conventos.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel vestiu e calçou os seus soldados com objectos portuguezes;
+a Snr.ª D. Maria mandou vir para os seus fardamento e calçado da Inglaterra,
+pesando-lhe por não poder mandar vir de lá tambem a agua para se lavar.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel apesar da amizade que o ligava a seu Tio Fernando 7.º,
+recusou entregar-lhe os refugiados politicos hespanhoes, e pagou-lhes a
+passagem para sahirem livremente do paiz; a Snr.ª D. Maria consentiu que
+assassinassem no paiz alguns emigrados carlistas, conservou outros<span
+class="pn">{9}</span> em duros ferros, e entregou alguns para serem
+garrotados.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel empregou muitos constitucionaes, sómente porque tinham
+merecimento; a Snr.ª D. Maria não só demittiu todos os legitimistas, senão
+ainda que tem demittido aquelles que por ella se teem sacrificado.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel vestia e calçava objectos portuguezes; a Snr.ª D. Maria
+até manda engommar a roupa a Inglaterra.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel, do que produziam as quintas reaes, distribuia
+gratuitamente aos seus criados, e ao povo; a Snr.ª D. Maria não só destruiu a
+matta dos buxos de Queluz para ser vendida aos torneiros, senão ainda mandava
+vender á praça até salsa e hortelan.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel folgava de fazer cultivar as terras da corôa, e de ser o
+primeiro lavrador de Portugal; a Snr.ª D. Maria alienou tudo na maxima parte, e
+o que não alienou, arrendou ou deu ao seu valido.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel tratava com esmero a formosa raça d'Alter; a Snr.ª D.
+Maria mandou vender tudo, até mesmo os cavallos e muares da casa real,
+conservando apenas alguns poucos rabões inglezes e hanoverianos.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel respeitou o banco, apesar de lá estarem os fundos dos seus
+contrarios, e de ser administrado pelos seus adversarios politicos;<span
+class="pn">{10}</span> a Snr.ª D. Maria fez-lhe crua guerra.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel reconheceu os emprestimos feitos para debellar os
+principios que o elevaram ao throno; a Snr.ª D. Maria não quiz reconhecer nunca
+o emprestimo do Snr. D. Miguel contrahido para matar a fome aos empregados
+publicos.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel tinha captado de tal sorte o amor dos soldados, que apesar
+de rotos, descalços, famintos, e quebrantados de uma lucta tão prolongada,
+quebravam as armas que os estrangeiros vinham arrancar-lhes das mãos; a Snr.ª
+D. Maria tem contrariado de tal modo os sentimentos do paiz, e alienado as
+affeições dos seus mesmos, que em todas as contendas vê rarear as suas fileiras
+de soldados que vão engrossar as dos contrarios.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel tinha e queria sómente os empregados necessarios; a Snr.ª
+D. Maria consentiu que se arvorasse ametade do reino em empregados para devorar
+outra ametade.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel fez-se idolatrar a tal ponto do povo, e do exercito, que
+até os seus mesmos adversarios o reconheciam a ponto de lhe cantarem:</p>
+
+<blockquote style="width: 50%; margin-left: 25%;">
+ <em>Quanto mais a fome aperta<br>
+ Mais se canta o rei chegou:</em></blockquote>
+
+<p style="text-indent: 0;">e não tem bastado a longa ausencia de dezesete<span
+class="pn">{11}</span> annos para destruir as affeições e esperanças dos
+portuguezes; a Snr.ª D. Maria tem-se feito detestar dos seus mesmos, e o que é
+maior desgraça ainda o seu nome está sendo coberto de improperios. </p>
+
+<p>«O que se tem dito do Snr. D. Miguel, diz-se de todos os monarchas
+decahidos; porém o que se diz da Snr.ª D. Maria, diz-se de pouquissimas rainhas
+no throno.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel, quando viu que a lucta só concorria para derramar sangue
+portuguez inutilmente, e acarretar desgraças inevitaveis ao paiz, porque parte
+da Europa dormia á beira da abysmo, e a outra parte estava colligada contra
+elle, convencionou em Evora-Monte, estipulando que se respeitasse a vida e
+propriedade dos seus, e que se lhe désse a elle, que de tudo era privado, uma
+parca subsistencia; quem governava pela Snr.ª D. Maria, desconheceu logo a
+convenção que tambem fôra assignada pela <em>leal</em> Inglaterra&mdash;condemnou ao
+ostracismo e á fome o Principe generoso e uma grande parte da nação
+portugueza&mdash;fez derramar ondas de sangue portuguez, e com a nefanda lei das
+indemnisações esbulhou da propriedade quem a tinha&mdash;a Snr.ª D. Maria acceitou a
+herança de todos estes maleficios, e <em>consentiu</em> que
+continuassem&mdash;applicou-os depois aos seus mesmos, e pretende conservar-se no
+throno a risco de perder a dynastia.<span class="pn">{12}</span></p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel rejeitou as propostas de Christina Munhoz de fazer entrar
+o exercito de Rodil em seu auxilio, e de o casar com uma sua irman se mandasse
+sahir D. Carlos de Portugal; a Snr.ª D. Maria não só tem acceitado todas as
+propostas para se firmar no throno, se não ainda as tem deprecado, subindo até
+lá nos braços de Rodil e Parker, e sendo sustentada por Concha e Maitland,
+executores, do famoso <em>protocollo</em>, e se os estrangeiros se não
+oppozerem agora á sua sahida, e ella se verificar, como dizem, são os
+portuguezes quem a poem fóra a contento do clero, nobreza e povo!</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel não gastava ao thesouro annualmente acima de 20 contos de
+reis; a Snr.ª D. Maria gasta ao <em>misero</em> e <em>defecado</em> Portugal
+365 contos de reis por anno, e ainda 100 contos para seu marido, afóra as
+dezenas e dezenas de contos para seus filhos.</p>
+
+<p>«O Snr. D. Miguel conservou a Tapada real de Villa Viçosa, na mesma grandeza
+com que seus augustos predecessores a tiveram; a Snr.ª D. Maria manda vender as
+lenhas e as estevas, que todos os dias d'ahi sahem em abundancia para Borba e
+Villa Viçosa, e n'esta ultima terra tem um açougue publico de carne de veado e
+gamo, que os seus criados todos os dias matam na tapada; negoceia-se com a
+bolota, com as pelles dos veados, e até com os chifres!»<span
+class="pn">{13}</span></p>
+
+<p>E então, não fallam bem destravadamente estes ridiculos fanfarrões?.. Elles,
+os selvagens, que ainda ha poucos annos <em>tinham mêdo d'apparecer no
+Porto</em>, não estão agora, com as suas roncas, armando aos patacos dos
+papalvos?... E cuidaes que é um acto de valor pessoal&mdash;que é, ao menos, uma
+temeridade que praticam?... Nada d'isso.&mdash;Não será verdade que elles mesmos
+andam por ahi a dar a explicação do seu arrojo, assoalhando, com espantoso
+cynismo, os presentes que fazem ao snr. <em>delgado</em>&mdash;vangloriando-se dos
+bellos córtes de panno da Belgica, que lhe remettem, e dos bellos pintos, que
+elle lhes chucha?...</p>
+
+<p>Diga-o... quem o souber&mdash;e no entanto passemos á</p>
+
+<h1><a name="SECTION00020000000000000000">SEGUNDA PARTE.</a></h1>
+
+<h2><a name="SECTION00021000000000000000">REFLEXÕES.</a></h2>
+
+<p><em>Quem diz o que quer, ouve o que não quer.</em> Assim reza um adagio,
+que, pela sua antiguidade, merece, por certo, a approvação dos
+<em>escribleros</em> do «<em>Portugal</em>.»<span class="pn">{14}</span></p>
+
+<blockquote>
+ <p>«O Snr. D. Miguel&mdash;dizem elles&mdash;não póde admittir na sua companhia a Snr.ª
+ D. Maria.» </p>
+</blockquote>
+
+<p>E é verdade. Não póde&mdash;porque assim o quizeram meia duzia de
+sanguinarios&mdash;meia duzia d'aristocratas estupidos&mdash;meia duzia de fradalhões
+devassos&mdash;meia duzia d'ambiciosos e algumas duzias de scelerados, que, entre o
+Tio e a Sobrinha, cavaram um abysmo insondavel, precipitando n'esse abysmo o
+infeliz Portugal,&mdash;não o ridiculo e o infame «<em>Portugal</em>» de que foi
+editor um sapateiro demente e estuporado&mdash;de que é editor e especulador um
+negociante de <em>algo</em>-<small>DÃO</small>&mdash;mas este Portugal de sete
+seculos, esta nação que se envergonha de ter no seu seio um bando de selvagens
+e desavergonhados, um bando de parasytas, um bando de zangões e
+empalmadores.</p>
+
+<blockquote>
+ <p>«O Snr. D. Miguel perseguiu os ladrões e assassinos.»</p>
+</blockquote>
+
+<p>Mentis, senhores da <em>tripeça-gazetal</em>, e mentis como perros.&mdash;O Snr.
+D. Miguel teve desejos de fazer punir os ladroes&mdash;mas os ladroes cercavam-no
+por toda a parte, e como andavam <em>mascarados</em>, era difficil
+conhecêl-os</p>
+
+<blockquote>
+ <p>«O Snr. D. Miguel não perseguiu os seus amigos&mdash;a Snr.ª D. Maria tem
+ perseguido a todos.»</p>
+</blockquote>
+
+<p>Mentis, e mentis com o damnado fim de amargurar a existencia do infeliz
+Principe, que<span class="pn">{15}</span> chora no exilio os negros crimes de
+que vós e os vossos o fizeram victima.&mdash;O Snr. D. Miguel não queria perseguir
+os seus amigos mas perseguiu-os o estupido bando de scelerados, a que vós
+pertenceis.&mdash;Lembrai-vos de que escreveis no Porto, senhores do
+«<em>Portugal</em>» e que no Porto, no tempo em que vós dominaveis, foram
+cacetados, indistinctamente, liberaes e realistas&mdash;ainda mais, no Porto foram
+cacetadas as proprias auctoridades constituidas em nome do Snr. D. Miguel.&mdash;É
+aqui bem publico e notorio que o corregedor do crime foi cacetado, no largo do
+Carmo, pelos soldados do 12, e como lhes gritasse «Senhores, eu sou o
+corregedor!»&mdash;«É por isso mesmo!»&mdash;lhes tornavam elles&mdash;redobrando com nova
+furia as cacetadas.&mdash;É aqui bem sabido que n'esse tempo bastavam tres
+testemunhas das de quartilho de vinho&mdash;para se levar um homem á forca;&mdash;bastava
+alcunhar qualquer realista de <em>malhado</em>, para o vêr martyrisar por essas
+ruas;&mdash;bastava calumniar alguém, chamando-lhe <em>pedreiro-livre</em>, para o
+vêr gemer n'uma cadêa.&mdash;Podiamos aqui escrever um longo capitulo
+d'historia&mdash;que vós fingis ignorar&mdash;mas poupamo-nos a esse trabalho, porque
+fallamos no meio d'uma cidade onde todos sabem quantos realistas gemeram nas
+cadêas por vinganças particulares&mdash;quantos caloteiros se fingiam realistas para
+perseguir os seus crédores&mdash;quantos<span class="pn">{16}</span> ladrões se
+infeitavam com o tope azul e vermelho, para atterrarem aquelles a quem tinham
+roubado.&mdash;Era n'esse tempo que o vosso chefe d'então e vosso chefe d'agora&mdash;o
+scelerado fradalhão Luiz................. levava a tiro de pistola as mulheres
+que se não dobravam aos seus desenfreados appetites;&mdash;era n'esse tempo que
+elle, o malvado <em>pedréca</em>, arranjava empregos para os paes, a troco da
+deshonra das filhas;&mdash;era, finalmente n'esse tempo, que muitos bandoleiros se
+acobertavam com o nome d'amigos do Snr. D. Miguel, para o tornarem odioso, e
+para augmentarem, como augmentaram, o partido liberal.&mdash;E ainda hoje continuaes
+a acobertar os vossos crimes com o nome do infeliz Principe, trazendo-o para a
+discussão a todo o proposito; e ainda hoje continuaes a perseguição aos seus
+melhores e mais leaes amigos.&mdash;Aqui estamos nós&mdash;nós que fomos emballados na
+affeição mais pura á pessoa do Snr. D. Miguel&mdash;nós, que, pensando servil-o,
+temos constantemente sacrificado o nosso futuro e arriscado a nossa vida,&mdash;e
+que hoje, desenganados, só pedimos a Deus que o Augusto Exilado não caia de
+novo nas vossas mãos&mdash;porque seria um instrumento de perseguição e de morte
+para metade dos filhos d'esta terra;&mdash;nós, em fim, que podemos dar testemunho
+da vossa ferocidade. E porque nos perseguistes vós?... Porque não<span
+class="pn">{17}</span> pudémos deixar-nos roubar, sem que gritassemos
+<em>aqui-d'el-rei</em> sobre os ladrões, denunciando-os ao publico, de viva-voz
+e pela imprensa.</p>
+
+<p>Calai-vos, <em>honrada-gente</em>!... calai-vos, que é esse o maior serviço
+que podeis fazer ao Snr. D. Miguel de Bragança.</p>
+
+<p>Não nos daremos agora ao infadônho trabalho de reflectir sobre cada uma das
+vossas <em>comparações</em>&mdash;talvez o façamos, se continuardes a provocar-nos;
+no entanto, sempre vos repetiremos que é damnada a intenção com que comparaes
+S. M. a Rainha com seu Augusto Tio, attribuindo a este alguns actos, com que
+pretendeis acobertar os vossos crimes, e áquella alguns erros, de que não póde
+nem deve ser responsavel&mdash;porque reina e <em>não governa</em>, como acontece a
+todos os Monarchas constitucionaes.&mdash;O que vós quereis&mdash;não nos cançamos de o
+dizer&mdash;é fazer pesar sobre o Snr. D. Miguel a responsabilidade de todos os
+assassinios, de todos os roubos, de todas as tropellias, de todas as
+perseguições, que praticastes em seu nome.</p>
+
+<p>As vossas comparações&mdash;se não fôsse bem conhecida a damnada intenção com que
+são feitas&mdash;só serviriam para tornar odioso o nome do Augusto Tio da Soberana.
+</p>
+
+<p>Se a Senhora Dona Maria II deve ser responsavel&mdash;como Rainha
+constitucional&mdash;pelos actos do seu governo, como vós quereis; é assaz<span
+class="pn">{18}</span> logico, é concludentissimo, que o Snr. D. Miguel&mdash;como
+Rei absoluto&mdash;é o unico responsavel por todos os erros, por todos os crimes,
+que em seu nome praticou esse bando de scelerados a que pertence o
+«<em>Portugal</em>.»</p>
+
+<p>Não illudaes o povo, <em>honrados homens</em>!... não especuleis com a
+ignorancia das turbas...</p>
+
+<p>O Snr. D. Miguel I foi Rei absoluto, e comtudo não deve ser responsavel por
+muitos crimes, que se praticaram em seu nome, e que elle ainda hoje ignora.</p>
+
+<p>A Snr.ª D. Maria II é Rainha constitucional, e n'esta qualidade
+irresponsavel pelos actos do seu governo.</p>
+
+<p>Portanto, as <em>comparações</em> do «<em>Portugal</em>» são filhas da mais
+refinada hypocrisia e estupidez, e tendentes só a desacreditar o Augusto
+Exilado.</p>
+
+<p>Estaes ahi a fingir-vos victimas da perseguição dos agentes do governo, e se
+houvesse <em>um delegado</em>, que soubesse cumprir com o seu dever, como vos
+attreverieis vós a asseverar pela imprensa, que a Soberana manda vender salsa e
+hortelã!!! e que negoceia com bolota, com pelles e até com chifres???!!!!...
+</p>
+
+<p>Senhores do «<em>Portugal</em>» não falleis em <em>chifres</em>, que se ri o
+povo.... não falleis em <em>salsa</em> e <em>hortelã</em>, que deitaes por
+terra, por vossas proprias mãos, essas <em>salsadas</em> que escreveis no vosso
+despresivel papel.<span class="pn">{19}</span></p>
+
+<p>Silencio!... e deixai-nos respirar um pouco, antes de passarmos á</p>
+
+<h1><a name="SECTION00030000000000000000">TERCEIRA PARTE.</a></h1>
+
+<h2><a name="SECTION00031000000000000000">DESENGANO.</a></h2>
+
+<p>Quem ouvir desprevenido as <em>roncas</em> do «<em>Portugal</em>»&mdash;quem lêr
+as suas <em>lamentações</em>&mdash;ha-de julgar que alli ha convicções profundas&mdash;um
+valor a toda a prova&mdash;uma resignação para o martyrio.</p>
+
+<p>Pois se ha quem tal pense, está completamente enganado.</p>
+
+<p>O «<em>Portugal</em>» é uma especulação mercantil de Francisco Pereira
+d'Azevedo&mdash;mais vulgarmente conhecido pelas alcunhas de Ignez das Hortas e de
+Francisco da Velha.</p>
+
+<p>O snr. Francisco é ao mesmo tempo editor, proprietario da imprensa e da
+gazeta, e negociante de <em>algo</em>-<small>DÃO</small>.</p>
+
+<p>A gazeta intitula-se realista, e não é mais do que <em>farcista</em>. É a
+mesma gazeta de que foi editor o sapateiro José Ferreira da Silva.</p>
+
+<p>Sabemos que nas provincias ha muita gente que não quer acreditar, que um
+miseravel sapateiro, estuporado e tonto, fosse o editor da gazeta dos
+<em>fidalgos velhos</em>, do periodico da aristocracia de <em>sangue azul</em>!
+Pois, para que se desenganem,<span class="pn">{20}</span> aqui lhes vamos dar
+alguns apontamentos para uma byographia do sapateiro, primeiro editor do
+«<em>Portugal</em>.»</p>
+
+<p>José Ferreira da Silva, filho de paes pobrissimos, e natural d'esta cidade,
+foi, ainda creança, para casa d'um sapateiro, onde começou por engraixar
+botins, remendar sapatos de gallegos e chinellos velhos, até que, por meio das
+suas <em>habilidades</em> e com a ajuda d'alguns patacos, que os freguezes do
+mestre lhe davam de <em>molhadura</em>, quando lhes hia levar as botas, pôde
+estabelecer-se e casar. Tendo já loja sua, fez-se <em>carola</em> por
+especulação, e tal era a <em>habilidade</em> e a <em>ligeiresa de mãos</em> de
+que a natureza o dotára, que, dentro de poucos annos, achava-se possuidor
+d'alguns contos de reis, arranjados ou empalmados nas confrarias e irmandades,
+em que se mettia, como piolho por costura. Por occasião da invasão franceza,
+uniu-se aos anarchistas, cujas <em>proezas</em> são bem sabidas n'esta cidade,
+e dentro em breve tempo montavam os seus haveres a trinta mil cruzados,
+chegando a ser capitão dos bandoleiros do <em>chuço</em>. Desde então, começou
+a trabalhar menos pelo officio, mettendo-se a onzeneiro, e dando dinheiro a
+juros, com enormissimas usuras; porém, o que n'este mister ganhára, levou-lh'o
+o diabo para as mãos de um negociante, que, pouco depois, se declarou em estado
+de fallencia. Estonteado com este revéz,<span class="pn">{21}</span> teve o
+primeiro attaque de estupôr, e começou desde então a andar quotidianamente
+pelas igrejas. Era tão enthusiasta pelas idéas liberaes, que, no tempo do
+cêrco, foi denunciar os moveis, pratas e mais objectos de valor pertencentes ao
+fallecido snr. José Antonio (empregado na policia do Porto), que era seu
+inquilino, e tinha acompanhado o exercito realista, achando-se, por isso,
+ausente. Tudo foi sequestrado, e foi tal a raiva do sapateiro, quando o Snr. D.
+Pedro deu a amnistia, mandando levantar os sequestros, que ficou mais
+estuporado do que estava. Era tal a sua avareza, que, tendo ainda uma boa
+fortuna, andava vestido como um mendigo, e seus filhos não morriam de fartos,
+como é notorio pela visinhança. Estando completamente estuporado e tonto, houve
+um delegado, que, por empenhos, <em>ou pelo quer que fôsse</em>, o acceitou
+para editor da infame gazeta, intitulada «<em>Portugal</em>», e com quanto não
+recebesse por isso dinheiro (por estar tonto de todo) recebia-o por elle um
+filho, que ainda hoje é caixeiro da <em>tripeça-gazetal</em> da rua das Hortas.
+Nos ultimos tempos da sua vida, tinha uma loja d'adeleiro na rua Formosa, onde
+continuava a emprestar dinheiro sobre ouro, prata e roupas, com enormissima
+usura, levando de juros, de cada cruzado novo, trinta e quarenta reis por mez,
+o que equivale a <em>cento por cento ao anno</em>!!!... Falleceu<span
+class="pn">{22}</span> d'uma queda no dia 29 d'Outubro de 1851, testando duas
+moradas de casas, a roupa e moveis da adella e algum dinheiro.</p>
+
+<p><em>Deus se compadeça da sua alma.</em></p>
+
+<p>Eis-aqui uns apontamentos para a byographia do miseravel sapateiro,
+escriptos conscienciosamente, sem odio ou affeição.</p>
+
+<p>Agora, se querem desenganar-se da refinada hypocrisia e cynismo da infame
+gazeta dos <em>farcistas</em>, comparem estes apontamentos com os que se lêem
+no «<em>Portugal</em>» de 10 de Novembro de 1851:</p>
+
+<blockquote>
+ <p>«O snr. José Ferreira da Silva, natural d'esta cidade, e filho de paes
+ pobres, mas honrados<a name="tex2html1" href="#foot244"><sup>[1]</sup></a>,
+ acaba de descer á sepultura, no cemiterio da ordem 3.ª de S. Francisco, com
+ todas as honras funebres e com mais de 80 annos d'edade. Era laborioso e de
+ boas contas<a name="tex2html2" href="#foot245"><sup>[2]</sup></a>, e tão
+ amante de seus paes, que os teve em sua companhia até que falleceram.
+ Agenciára elle pelas suas economias o melhor de 25,000 crusados<a
+ name="tex2html3" href="#foot246"><sup>[3]</sup></a> que empregou muito bem em
+ promover a educação<span class="pn">{23}</span> de sua familia, e em obras
+ pias<a name="tex2html4" href="#foot247"><sup>[4]</sup></a>. Era tão
+ apaixonado das confrarias<a name="tex2html5"
+ href="#foot248"><sup>[5]</sup></a> que pertenceu a quasi todas as d'esta
+ cidade, sendo provedor da de S. Chrispim<a name="tex2html6"
+ href="#foot150"><sup>[6]</sup></a> definidor da 3.ª de S. Francisco, mesario
+ e protector de diversas outras. Serviu de juiz d'Artes<a name="tex2html7"
+ href="#foot151"><sup>[7]</sup></a>, e foi capitão d'ordenanças por occasião
+ da invasão francesa<a name="tex2html8" href="#foot249"><sup>[8]</sup></a>.
+ Era muito estimado e acolhido das principaes familias d'esta cidade<a
+ name="tex2html9" href="#foot154"><sup>[9]</sup></a>. A sua nimia boa fé o fez
+ ser victima d'uma quebra em que se fundiu a maior parte da sua fortuna que
+ tinha em mãos do quebrado<a name="tex2html10"
+ href="#foot250"><sup>[10]</sup></a>. O seu animo religioso não se abateu com
+ a adversidade, e hauriu perennes consolações no bom desempenho dos seus
+ deveres domesticos e no exercicio dos actos religiosos, ouvindo missa
+ quotidianamente, visitando o SS.<sup>mo</sup> Sacramento, e assistindo ás
+ numerosas funcções religiosas que se celebram n'esta cidade. Era portuguez de
+ velha tempera, e tão decidido legitimista<a name="tex2html11"
+ href="#foot252"><sup>[11]</sup></a>, que se offereceu para editor
+ <em>gratuito do Portugal</em><a name="tex2html12"
+ href="#foot161"><sup>[12]</sup></a>, e o foi com a melhor vontade até que
+ Deus o chamou a si<a name="tex2html13" href="#foot253"><sup>[13]</sup></a>.
+ Não o arredou<span class="pn">{24}</span> nunca do seu honroso posto a
+ bateria d'insultos com que o mimosearam os nossos adversarios<a
+ name="tex2html14" href="#foot164"><sup>[14]</sup></a> que estranhavam que um
+ honrado popular fosse editor d'um periodico legitimista, como se a
+ legitimidade excluisse classes. No entanto á borda da sepultura todos os
+ collegas adversarios se portaram cavalheirosamente com o nosso editor. Houve
+ apenas uma excepção no <em>Pobres</em>. Nós lhe perdoamos o seu cynismo em
+ nome do fallecido. Pelo que nos toca depositamos aqui um penhor eterno de
+ gratidão e respeito ao veneravel<a name="tex2html15"
+ href="#foot254"><sup>[15]</sup></a> ancião que nos escudou perante a lei, e
+ esperamos que na presença do Eterno advogará a nossa causa que é a da justiça
+ e do direito<a name="tex2html16" href="#foot255"><sup>[16]</sup></a>. O nosso
+ bom amigo falleceu d'uma queda e testou com acerto<a name="tex2html17"
+ href="#foot168"><sup>[17]</sup></a>, deixando uma viuva inconsolavel e uma
+ filha e um filho herdeiros de sua honra e virtudes<a name="tex2html18"
+ href="#foot169"><sup>[18]</sup></a>. <em>Deus o tenha á sua vista</em><a
+ name="tex2html19" href="#foot256"><sup>[19]</sup></a>.</p>
+</blockquote>
+
+<p>E que tal! Assim é que se engoda o povo, para lhe hir pilhando os
+pataquinhos! É assim que o <em>Portugal-gazeta</em> costuma dizer a verdade!
+</p>
+
+<p>Que honrada gente! E não lhes coram as faces, quando apparecem em
+publico!<span class="pn">{25}</span></p>
+
+<p>Comparai estas amabilidades para com um miseravel sapateiro, estuporado e
+tonto, com o grosseiro procedimento do snr. Francisco Candido para com a
+«<em>Neta e Sobrinha de Reis</em>» procedimento que escandalisou muitos
+realistas sensatos, que não comem nem querem comer a custa da illusão dos
+povos.</p>
+
+<p>D'um lado uma consciencia tão larga, que fez do sapateiro um homem honrado,
+piedoso, realista, &amp;c. &amp;c. Do outro uma consciencia tão estreita e
+mesquinha, que se despede da Assemblea, porque a quasi totalidade dos socios
+resolvêra obsequiar S. M. a Rainha!!!</p>
+
+<p>Parece-nos que não haverá ninguem que não suspeite qual é o fim d'estes
+<em>fogachos facciosos</em>...</p>
+
+<blockquote style="width: 50%; margin-left: 25%;">
+ Do direito fazem torto<br>
+ Estes astutos velhacos;<br>
+ Chamam gente a um asno morto...<br>
+ Tal é o poder dos patacos!!!</blockquote>
+
+<p>Uma das duas: ou o snr. Francisco Candido é o unico homem escrupuloso e de
+convicções profundas, dos que escrevem no <em>Portugal</em>&mdash;ou pretende
+enganar o povo.</p>
+
+<p>Se agarra na primeira ponta do dylemma&mdash;deve largar já a redacção do infame
+<em>Portugal-gazeta</em>, fazendo assim a vontade ao padre Luiz, ao F. da
+Velha, e ao garoto do pião.... Se<span class="pn">{26}</span> agarra na
+segunda&mdash;tambem não podêmos deixar de lhe dizer, que procure um modo de vida
+mais decente.</p>
+
+<p>Fóra d'ahi, snr. Francisco Candido! Um homem de probidade austéra não póde,
+nem deve escrever na infame gazeta inaugurada sob a responsabilidade do homem
+mais despresivel que existia no Porto. Fóra d'ahi! Deixe o logar a esses
+scelerados que lh'o cobiçam. Fóra d'ahi, que a questão, para elles, é só
+questão de dinheiro. Fóra d'ahi, se não quer que o publico o tenha na mesma
+conta em que os tem a elles.</p>
+
+<p>Ignora, snr. Francisco Candido, que ahi se levam moedas pelas
+correspondencias que, em sua defesa e em defesa do seu partido, mandam lançar
+os proprios homens, a quem o <em>Portugal-gazeta</em> chama seus
+correligionarios e amigos!! O snr. Cachapuz que o informe... elle, que
+aggredido pelo <em>Ecco Popular</em>, como auctoridade realista, teve de dar
+bons pintos pela defesa que fez inserir na gazeta dos
+<em>farcistas</em>.&mdash;«<em>Um pataco por linha e nada menos.</em>»</p>
+
+<p>Não acontecia assim com a P<small>ATRIA</small>, que nunca levou nem um real
+por semelhantes correspondencias&mdash;porque o redactor da P<small>ATRIA</small><a
+name="tex2html20" href="#foot257"><sup>[20]</sup></a><span
+class="pn">{27}</span> não sabia ser gazeteiro, e o snr. Francisco Candido bem
+conhece aquelles que o roubaram, abusando do seu demasiado cavalheirismo e boa
+fé.</p>
+
+<p>Veja se gosta d'esta comparação, snr. Francisco Candido, e saiba (se o
+ignora) o que é uma gazeta na mão d'um <em>negociante</em>.</p>
+
+<p>Agora, ouça mais duas palavras, e ouça-as tambem o povo, para ficar
+completamente desenganado ácerca do <em>Portugal-gazeta</em>.</p>
+
+<p>Ha cousa d'um anno, appareceram no <em>Ecco Popular</em> uns artigos infames
+(cuja publicação foi provocada por uma polemica do infame
+<em>Portugal-gazeta</em>) nos quaes se davam ao Tio da Rainha os nomes mais
+injuriosos, e entre estes, o de <em>assassino</em>!!&mdash;O editor do <em>Ecco</em>
+póde dar testemunho dos esforços, que eu fiz, invocando a sua generosidade,
+para que retirasse da discussão o augusto nome do infeliz exilado; mas, apesar
+d'estes esforços, lá appareceram no infame <em>Portugal-gazeta</em> umas
+allusões torpes, involvendo a perfida insinuação de que era eu o auctor de
+semelhantes artigos!&mdash;Um dia, ao cahir da noite, encontrei, na rua dos
+Lavadouros, o snr. Francisco<span class="pn">{28}</span> Candido de Mendoça e
+Mello, e perguntei-lhe se já estava desenganado de que não eram meus os
+artigos. Respondeu-me «que entre mim e elle (snr. Mendoça) não havia motivo
+algum d'inimisade; que até algumas vezes havia dito que eu tinha razão de me
+queixar do que acontecera com a P<small>ATRIA</small>; e que elle (snr.
+Mendoça), avisado do que se passára commigo, era redactor <em>independente</em>
+do «<em>Portugal</em>» e não recebia ordens de ninguem, nem mesmo quanto á
+politica do jornal; que já se sabia que não eram meus os artigos em que o Snr.
+D. Miguel era tão atrozmente calumniado; que as allusões, de que eu me
+queixava, tinham nascido d'uma errada persuasão, e não de odio ou
+vindicta.»&mdash;Fiquei <em>quasi</em> satisfeito com a declaração do snr. Mendoça;
+e para o ficar <em>completamente</em>, disse-lhe que era justo rectificar a
+perfida insinuação que se fizera. Assim o julgou o snr. Mendoça, e assim m'o
+prometteu; mas, até hoje, estou á espera do cumprimento da sua
+promessa!&mdash;Quereria o snr. Mendoça cumpril-a, e serviriam d'obstaculo os
+<em>negociantes de politica</em>, que já não é a primeira vez que negoceiam com
+o meu credito, com o meu suor e com o meu sangue?... Fóra d'ahi, snr. Mendoça!
+Um homem de probidade austera, não póde conservar essa posição.&mdash;Olhe que não
+escrevo isto para augmentar os seus embaraços. Sei que ha promessas
+solemnes<span class="pn">{29}</span> de lhe apalpar as costas, e se os meus
+pedidos valessem, eu pediria que ninguem fizesse caso da sua despedida da
+Assemblea, das suas cartas, e do mais que se tem passado.</p>
+<hr class="dotted">
+
+<blockquote>
+ <p>Duas palavras ao snr. <em>Antonio Pinto Cardoso da Gama</em>, e peço
+ tambem para ellas a mais séria attenção do publico. </p>
+
+ <p>O snr. <em>Gama</em> é delegado do procurador regio na 2.ª vara, e debaixo
+ da sua alçada está a typographia do <em>Portugal-gazeta</em>. A mim não me
+ importa que o snr. <em>Gama</em> deva obrigações a ninguem; o que desejo é
+ vêl-o applicar a lei igualmente a <em>amigos</em> e adversarios.</p>
+</blockquote>
+
+<blockquote>
+ <p>Snr. <em>Gama</em>: No dia 29 d'Outubro de 1851 falleceu o sapateiro José
+ Ferreira da Silva, que foi editor do <em>Portugal-gazeta</em>. Este infame
+ papel continuou a publicar-se <em>illegalmente</em>, até ao dia 10 de
+ Novembro, <em>debaixo da responsabilidade do fallecido</em>, e o snr. Gama
+ não procedeu, senão depois que eu requeri procedimento! Por fim, o
+ «<em>Portugal</em>» foi absolvido; mas o seu proprio defensor teve a
+ franqueza de me confessar que a sentença estava mal fundamentada&mdash;porque a
+ lei é muito clara e a infracção era muito visivel! Eu sei tudo o que se
+ passou com esse <em>decantado</em> processo, e calo-me por ora, mas hei-de
+ fallar, e <em>fallar muito claro</em>, quando fôr tempo para isso.... Agora,
+ snr. Gama, vou mostrar-lhe quanto é nociva a impunidade, e quanto é
+ prejudicial que se não observem as leis.</p>
+
+ <p>O snr. Gama já sabe (porque o escripto se vende publicamente, e devia
+ ser-lhe remettido, na conformidade da lei), que na imprensa dos
+ <em>negociantes</em> do <em>Portugal-gazeta</em> se imprimiu um folheto
+ intitulado==<em>Descripção da viagem de SS. MM. desde que sahiram<span
+ class="pn">{30}</span> de Lisboa até á sua entrada n'esta cidade.</em>==Este
+ folheto não traz o nome da officina, como a lei manda, e a lei pune
+ severamente esta infracção, e a lei, snr. Gama, diz que qualquer pessoa do
+ povo poderá accusar os delegados, quando estes não cumprirem com o seu
+ dever.&mdash;Fico á espera, snr. Gama, e pouco me importa que o infame
+ <em>Portugal-gazeta</em> me chame <em>denunciante</em>. Deus me livre de que
+ elle me chame homem honrado. As cousas tomam-se como da mão de quem veem. Uma
+ injuria na bôcca do immundo papel dos <em>farcistas</em> é o maior elogio que
+ se me póde fazer.&mdash;Ao seu dispôr, snr. Gama.</p>
+ <hr class="dotted">
+
+ <p>Já me vai faltando a paciencia, e creio que&mdash;para quem não for muito
+ estupido, muito hypocrita, muito desavergonhado ou muito simplorio&mdash;já bastam
+ os factos que deixo apontados para todos se desenganarem de que o
+ <em>Portugal-gazeta</em> é uma tôrpe especulação mercantil; que o editor,
+ redactores e collaboradores só tractam d'illudir o povo, para lhe irem
+ comendo os patacos; e, em fim, que publicam o papel mais infame que tem
+ prostituido a imprensa;</p>
+</blockquote>
+
+<blockquote>
+ <p>Porque o <em>Portugal-gazeta</em></p>
+
+ <blockquote style="width: 50%; margin-left: 25%;">
+ «................... pirata inico<br>
+ Dos trabalhos alheios feito rico»</blockquote>
+
+ <p>&mdash;insulta a Rainha, e ao mesmo tempo imprime uma incomiastica descripção
+ da viagem ao Porto, com a mira nos <em>pataqinnhos</em>. </p>
+</blockquote>
+
+<blockquote>
+ <p>Porque se finge victima d'uma perseguição acintosa, e encontra um delegado
+ mais macio do que velludo.</p>
+
+ <p>Porque calumnía por gôsto, para especular com a honra, com o credito e com
+ o suor alheio.</p>
+
+ <p>Porque se diz realista, e foi chuchando as moedas do snr. Cachapuz, para o
+ defender como auctoridade realista.<span class="pn">{31}</span></p>
+</blockquote>
+
+<blockquote>
+ <p>Porque anda todos os dias a atirar á praça publica o nome do Tio da
+ Rainha, só pelo gôsto de o vêr desacatado pelas turbas, para depois ganhar
+ patacos com as suas defesas e comparações.</p>
+
+ <p>Porque, finalmente, os que no <em>Portugal-gazeta</em> se declaram hoje
+ defensores do Snr. D. Miguel&mdash;são os mesmos que hontem o cobriam d'injurias,
+ e lhe chamavam tyranno e usurpador. </p>
+</blockquote>
+
+<blockquote>
+ <p>Este desengano é para aquelles que ainda acreditavam na boa fé do
+ <em>Portugal-gazeta</em>. Resta-me dar tambem um desengano aos <em>gazeteiros
+ farcistas</em>. </p>
+</blockquote>
+
+<blockquote>
+ <p>Escusaes de andar com investigações, prohibindo os vossos empregados de
+ fallarem commigo&mdash;porque eu sei tudo o que se passa entre vós, e fui avisado,
+ em tempo competente, d'aquella proposta, que se fez em certa
+ reunião......................, de se darem algumas moedas a
+ quem..................... e folguei muito de que alguns cavalheiros se
+ portassem como verdadeiros fidalgos portuguezes, embora illudidos, repellindo
+ uma proposta tão miseravel. </p>
+</blockquote>
+
+<blockquote>
+ <p>Podeis continuar a perseguir-me, que com isso só conseguis augmentar a
+ aversão que vos tenho. </p>
+</blockquote>
+
+<blockquote>
+ <p>Este é o desforço que eu tiro das vossas provocações.&mdash;Tornai a
+ provocar-me, que eu cá fico a colligir a <em>papellada velha</em>.... </p>
+</blockquote>
+
+<blockquote>
+ <p>Senhores do <em>Portugal-gazeta</em>, procurai bem entre os do vosso
+ bando, a vêr se encontraes os fabricadores de <em>moeda falsa</em>, de que ha
+ pouco vos queixastes... Já estaes calados?!.. Dar-vos-hiam para isso alguma
+ <em>moeda verdadeira</em>?... </p>
+</blockquote>
+
+<blockquote>
+ <p>Senhores do <em>Portugal-gazeta</em>&mdash;silencio!... </p>
+</blockquote>
+
+<p style="text-align:center;"> &mdash;</p>
+
+<p>Leitores, desculpai a duresa da phrase e a desigualdade do estylo. Este
+folheto foi escripto ao correr<span class="pn">{32}</span> da penna, e
+resente-se das alternativas da minha vida.&mdash;Eu penso com Chateaubriand (sem
+possuir o seu talento) que é uma loucura atirar com o meu nome ao meio da
+multidão;&mdash;comtudo para que se não julgue que declino a responsabilidade, aqui
+pônho a minha assignatura.</p>
+
+<p> </p>
+
+<p>Porto 18 de Maio de 1852.</p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<p style="text-align: right"><em>João Augusto Novaes Vieira.</em></p>
+
+<p>&nbsp;</p>
+
+<div class="rodape">
+<p><a name="foot244" href="#tex2html1"><sup>[1]</sup></a> Não podêmos deixar de
+fazer algumas annotações a este ridiculo <em>apontoado</em>
+d'imposturas.&mdash;Acreditariamos piamente que os paes do sapateiro fossem muito
+probos, apesar de pobrissimos; mas, desde que os <em>farcistas</em> lhes chamam
+<em>honrados</em>, ficamos com nossas duvidas... Deus nos livre de ser
+<em>honrado</em> na bocca de semelhante <em>gentinha</em>...</p>
+
+<p><a name="foot245" href="#tex2html2"><sup>[2]</sup></a> Bastava que fôsse de
+tão boas contas como os que <em>tomaram á sua conta</em> a empreza da
+P<small>ATRIA</small>... Arreda!</p>
+
+<p><a name="foot246" href="#tex2html3"><sup>[3]</sup></a> E que tal? Um
+sapateiro que, em poucos annos, arranja 25 mil cruzados pelas <em>suas
+economias</em>, devia ser muito honrado...</p>
+
+<p><a name="foot247" href="#tex2html4"><sup>[4]</sup></a> Ninguem sabe que elle
+praticasse taes obras, senão os <em>farcistas</em> do
+«<em>Portugal-gazeta</em>.»</p>
+
+<p><a name="foot248" href="#tex2html5"><sup>[5]</sup></a> E como não seria
+apaixonado, se d'ellas é que <em>economisou</em> o dinheiro que tinha?...</p>
+
+<p><a name="foot150" href="#tex2html6"><sup>[6]</sup></a> Por ser a confraria
+dos sapateiros.</p>
+
+<p><a name="foot151" href="#tex2html7"><sup>[7]</sup></a> E era muito bom juiz,
+especialmente da arte do padre Antonio Vieira.</p>
+
+<p><a name="foot249" href="#tex2html8"><sup>[8]</sup></a> Capitão dos
+bandoleiros do <em>chuço</em>, que assassinavam e roubavam a torto e a direito,
+dando ás suas victimas o nome de <em>jacobinos</em>.</p>
+
+<p><a name="foot154" href="#tex2html9"><sup>[9]</sup></a> Pêta refinada.</p>
+
+<p><a name="foot250" href="#tex2html10"><sup>[10]</sup></a> Por <em>Diós</em>
+veio, por <em>Diós</em> foi.</p>
+
+<p><a name="foot252" href="#tex2html11"><sup>[11]</sup></a> Pois não! Todos os
+que forem ladrões, tractantes, calumniadores e desavergonhados&mdash;são decididos
+<em>legitimistas</em>, na bôcca do <em>Portugal-gazeta</em>.</p>
+
+<p><a name="foot161" href="#tex2html12"><sup>[12]</sup></a> Refinadissima pêta.
+</p>
+
+<p><a name="foot253" href="#tex2html13"><sup>[13]</sup></a> Foi uma occasião
+chamado á policia, <em>por impostura do delegado</em>, e perguntado se era o
+editor do «<em>Portugal</em>» respondeu primeiro que não sabia, e depois
+negativamente. Não obstante, continuou a figurar como editor, contra a expressa
+determinação da lei.&mdash;Quem quizer, que commente.</p>
+
+<p><a name="foot164" href="#tex2html14"><sup>[14]</sup></a> Se elle estava
+tonto de todo, que lhe havia de importar?</p>
+
+<p><a name="foot254" href="#tex2html15"><sup>[15]</sup></a> Miseravel e bem
+miseravel. O <em>Portugal-gazeta</em> troca os nomes a tudo.</p>
+
+<p><a name="foot255" href="#tex2html16"><sup>[16]</sup></a> Fóra,
+<em>farcistas</em>!</p>
+
+<p><a name="foot168" href="#tex2html17"><sup>[17]</sup></a> Ou alguem testou
+por elle.... quem sabe?...</p>
+
+<p><a name="foot169" href="#tex2html18"><sup>[18]</sup></a> Podéra não!</p>
+
+<p><a name="foot256" href="#tex2html19"><sup>[19]</sup></a> E lhe perdoe.
+<em>Amen.</em></p>
+
+<p><a name="foot257" href="#tex2html20"><sup>[20]</sup></a> Falla-se do
+verdadeiro fundador e redactor do jornal, e não do <em>doutor</em> Cazimiro de
+Castro Neves, <em>que ainda tem saudades do tempo em que jogava o seu
+pião</em>, como elle proprio disse em letra redonda, não obstante as nossas
+advertencias. Disse tambem que era «<em>uma pessoa physica</em>.» Veja-se, no
+diccionario de Moraes, a definição de pessoa, e conhecer-se-ha que o tal
+<em>menino dos olhos azues</em> é um <em>doutorasso</em>.... no jogo do pião,
+que é jogo de garotos.</p>
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+<div>*** END OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK 30355 ***</div>
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